http://www.mpdft.gov.br/Comunicacao/ultimas/outras/2004/imagens/dialogosGrandec%F3pia.jpg

Dizem os saudosistas que a internet acabou com uma das mais belas formas de comunicação: as cartas. Hoje, trocam-se emails, torpedos, tudo, menos bilhetes e cartas escritas a mão. Talvez tenham razão, pense na emoção de se esperar o carteiro chegar, quando longe de casa, antes do advento da rede mundial de computadores;ou seu coração disparava de alegria quando chegavam cartas das pessoas queridas ou se entristecia com a expectativa frustrada. Mas e quanto aos diálogos? O mundo todo se comunica via internet, através do MSN ou outro programa semelhante, pessoas falam com amigos na esquina de casa ou no Japão.Há quem mande uma mensagem via celular para avisar: "estou chegando,favor abrir o portão!!!"

O que se pretende aqui é inovar e travar um belo diálogo através desse blog, que ao mesmo tempo pode tornar-se interativo e fazer com que muitas pessoas dialoguem.

Sabe-se que nem mesmo o tempo  é capaz de apagar a amizade, aquela que encerra uma bela conversa,o evento que demarca um momento único deixando uma marca inesquecível e que nos identifica ao longo de desencontros e reaproximações dando o real sentido a vida...Como diria certo poeta " Tudo o que é sólido desmancha no ar"... Porém é certo que a amizade e a comunhão entre pessoas se sedimentam em  lembranças onde o tempo e o espaço não as apagam.

 Neste diálogo espontâneo na naturalidade de Marcelo, do poeta Juarez e da auto-didata Marilena, as idéias seguirão uma proposta simples, encetando em cada palavra suas perspectivas quanto aos rumos da literatura, da poesia e o lugar perene que estas duas alianças ocupam neste mundo sem volta em que o tempo hábil e real insiste em decantar uma era de saudades, criatividade...E diálogo.

 Marcelo  Poeta, conversar, pensar ou até mesmo meditar é coisa pra filósofo...E o poeta, me parece aquele ser meio nômade...Percorre os vales da imaginação e busca em seus delirios de lirismo uma resposta íntima., a poesia estaria numa misantropia irremediável...É nesse breve retiro solene que ele dá seu recado ao mundo. O que é o poeta,quem é o poeta ?..

 

 

Juarez -  O poeta é um construtor de pontes insólitas. Parece-me que não é a intenção dele levar-nos a transpor tais pontes, mas apenas a caminhar, de forma contemplativa, sobre as mesmas. Parte da ponte é calcada na razão, apenas para nos dar a percepção inicial de sustentação – exigência do mundo material – a outra parte, em quase toda sua totalidade, é apoiada em sentimentos, cujas impressões nos chegam como verdadeiros alicerces da verdade sentida. Somente uma das margens nos parece conhecida.

O poeta pára, em meio as turbulências da vida cotidiana, e ouve os incessantes sussurros do coração. Como ele sabe que sentimentos não podem ser traduzidos por palavras, ele as utiliza apenas para conduzí-los.Também acredito ser muito difícil encontrar palavras que se harmonizem com o propósito.

Quando se pode contemplar todo o sentimento que oculta essa ponte, podemos dizer que vivenciamos a poesia.

 

 Marcelo -  Essa é a " teoria" desprendida de concepções doutrinárias,  - essa é a sua temporalidade,intima , desgarrada do Pathos  -  a poesia me parece  uma gênese de seu próprio ser, o poeta aceita sua ode em cânones porque antes de qualquer presunção ele se fará presente...Ele se fará eterno e marcará para sempre as cantigas dos amantes, e da literatura...A poesia no olhar de seu leitor ou de seu seguidor, concorda que as palavras traduzem o que há de mais esplêndido na áurea amorosa, na alma que vem doente de amor, paixão...Mas estou com Adélia Prado: "Não quero faca nem queijo,quero é fome"... O ideal é ter sempre coragem para todas as vezes que nos encontrarmos entre a cruz e a espada, nos jogarmos sem pestanejar contra a espada!

 

 Marilena  -  Quem escreve, o faz para a sua sobrevivência. Não financeira, mas humana. Eu escrevo como se uma força exterior se apoderasse de minh'alma e meus dedos se movem abruptamente, tal qual uma psicografia. Como se alguém falasse por mim e eu apenas transpusesse esses pensamentos todos, tolos muitas vezes num pedaço de papel ou na tela do computador. Por que escrever? Porque palavras se perdem e se modificam à medida que trocam de ouvintes, mas palavras ficam impressas, como as primeiras que os primatas deixaram nas rochas. Até mesmo as músicas antes de serem entoadas, foram letras. Há quem escreva sobre tudo, há escritores amargurados, pessimistas, incrédulos, todavia, há quem seja irritantemente crédulo e escreva sobre vida e esperança, como o autor que perpetuou a pequena Pollyana. Dentre os escritores, há os poetas, que amam tanto, que quando a morte se lhes apresenta,não veem nela o fim da sua história de amor, mas o início da eternidade, a viagem para o além, onde os amantes ficarão perpetuados.  Mesmo que não haja leitores, preciso escrever. Deixo a minha história em linhas, para que um dia atinja o seu objetivo. Talvez minha vida não seja abençoada e eu preciso da escrita para transformá-la, como disse Clarice Lispector: "Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada."

Juarez -  A lucidez da faca amedronta-nos, tamanha a sua razão. Não queremos a fome que entorpece aos poucos os sentidos, consumindo o ser ao apagar da chama... Que Queijo e faca, necessidades e a razão. Mas ao poeta é dada a fome dos desejos. A fome dos sentimentos, a fome do saber, da ternura e da compreensão. Queremos o calor na medida do amor. E a paixão sob as rédeas da razão. Só aquele que a si permite ouvir com paciência as coisas do coração, descansa os olhos no berço da alma e navega a mente nos lábios da esperança. Ter coragem para encostar o peito na espada é falar de poesia nos tempos atuais, tamanho é o medo das pessoas em relação aos gritos do coração.

 

 Marilena - A alma sensível não é inevitavelmente a mais fraca. Podemos amar e nos entregar, sofrer e chorar até a última gota, sem perder a força que vem de dentro. Pois amar e admitir o amor, aceitar as agruras que muitas vezes  ele nos proporciona é negar a covardia que insiste em se arraigar no nosso íntimo e que quase sempre nos condena a uma vida sem qualquer emoção.  Não devemos e não podemos fixar os pés na areia firme e nos deixar confinar à insignificância da vida. Quem ama quer o queijo para saciar a fome que é praticamente insaciável, quem vive o amor encosta o peito na lâmina afiada da espada e mergulha sempre em águas agitadas. E jamais se esconde das ondas deliciosas que só os amantes apaixonados e corajosos ousaram conhecer em toda a sua profundidade...

Pois como alguém sabiamente mencionou um dia: " Quem quase morre, pode voltar a viver; entretanto, quem quase vive, já está morto!" Viver é arriscar,sempre!

 Marcelo - O meu mundo é movimentado pelo sonho...Esse meu viver tão precioso é movido pela palavra. A palavra que era o verbo e se faz carne.  Estou certo que a palavra evoca um silêncio interior...Onde podemos ouvir as batidas de um coração literário, dentro de nós há um maravilhoso mistério de profundezas sentimentais decifrados em falas poéticas, ou surdamente nas expressões de afeto que permeiam as cavidades de nossa alma - essa força  tão maltratada, tão combalida - precisa de uma esperança, precisa de uma herança...Precisa de amor. Eu acredito na tranformação que a poesia pode provocar nas pessoas que amam, que sofrem, sem recrudecimentos, elas se renderão a boa fala, que educa os sentimentos e refina o nosso espírito...Essa sedução é deliciosa e nos faz percorrer um bosque de mãos dadas com a vida..." Os Bosques são belos, sombrios e fundos. Mas tenho promessas a cumprir, E milhas a andar antes de dormir, E milhas a andar antes de dormir".( Robert Frost )

  O poder que essa interação proporcionou já fala por si mesma...Não está sedimentada em conceitos formais, tão pouco doutrinários. Ela se funda no poder aglutinador em que pessoas penetram no inconsciente da imaginação e meditam, ciosos que partilham da mesma força, da mesma fragilidade... E da mesma esperança que nos faz sonhar, nos faz pensar, nos faz viver...Nos faz amar.

 http://www.ecoviagem.com.br/fotos/mato-grosso-do-sul/bonito/recanto-ecologico-rio-da-prata/5072gra-a-nascente-do-rio-olho-d-agua-revela-um-imenso-aquario.jpgPenetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma.
(Carlos Drummond de Adrade) 

 

 

 



Escrito por Marcelo Figueiredo às 02h19
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PARATY - poesia e prazer...

http://2.bp.blogspot.com/_Q7kqLgwREww/RynBuuvIGnI/AAAAAAAAAHA/nghLlv_Y-tU/S660/Brasil+Colonial-Paraty+1-Oleo+sobre+tela+0,80x1,20_edited.jpg

 "Que é  que o mar faz quando a gente vai dormir ? É incompreensível a eternidade do mar.Também me pergunto.sem resposta:"há quanto tempo o mar se quebra alisando a areia "?

Paraty é aquele tipo de lugar que a gente só acredita que existe quando chega lá. Parece uma grande pintura, perfeita em suas belezas naturais. As praias e ilhas à sua volta, são verdadeiros paraísos tropicais e o seu centrinho a noite é o que há... Um convite às compras e ao deleite com a boa comida dos restaurantes que lá estão.  Paraty é um sonho, uma "cidadezinha" que depois que você conhece, nunca mais deixa de ir... Gosto de falar de Paraty quando a contagem é regressiva. Não ver a hora de pisar na areia da praia de Jabaquara ou pegar uma escuna até seu arquipélago já me faz sentir o perfume do mar... E vislumbrar suas delícias.

http://4.bp.blogspot.com/_Zno4to7C9mA/ScAgtiUTFUI/AAAAAAAAK6E/7eOgklnLux4/s400/Ponta+negra_paraty.gif  "SOLIDÃO ROBUSTA, SOLIDÃO PARA TODOS OS LADOS,UMA AUSÊNCIA HUMANA QUE SE OPÕE AO MESQUINHO FORMIGAR DO  MUNDO"...(Cecilia Meireles)



Escrito por Marcelo Figueiredo às 12h11
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PAZ NOS ESTÁDIOS

http://semipronta.files.wordpress.com/2008/07/futebol1.jpg

 Futebol, paixão,vibração e êxtase  - sentidos que ecoam nos quatro cantos da Terra...e arrebanha multidões para o seu maior espetáculo. Apesar do futebol ser o esporte mais poopular do Brasil, a paixão por ele, não é nossa exclusividade. Clubes europeus investem milhões de euros na contratação de estrelas e a Espanha, por exemplo, dá ao seu povo o privilégio de verem jogando juntos Kaká e Cristiano Ronaldo, indubitavelmente os melhores do mundo. Os nossos craques debandaram e  a Itália recruta hoje o maior número de jogadores brasileiros, denotando que o futebol por lá também desfruta de enorme popularidade, podemos afirmar que os outrora ídolos aqui hoje habitam os corações deles  que já são tão ou mais fanáticos que nós.

Futebol é assim, é África em 2010 e de ponta a ponta ainda encanta e lota os estádios com clássicos, sejam de times brasileiros, sejam quando se encontram países arquirivais como Brasil x Argentina ou mesmo a velha rivalidade estadual quando jogam paulistas contra cariocas.

Neste sábado em Campinas, já conhecida no passado como "Capital do Futebol", Guarani FC e AAPonte Preta se confrontam na mística de um clássico que já reuniu grandes craques atuando por ambos os clubes. E com a proximidade da partida, os nervos dos torcedores vão se aflorando e emoções fortes certamente estão por vir. Apesar da beleza do acontecimento e da grandiosidade histórica do encontro, infelizmente a violência entre torcidas organizadas ou seriam gangs(?), acabou por afugentar famílias e gente de bem do acontecimento. A rivalidade se tornou bandidagem e ir ao estádio acaba se tornando uma grande aventura, nem sempre com final feliz.

Que as torcidas que promovem indiscutivelmente o mais belo espetáculo das arquibancadas, sejam com coreografias inovadoras, bandeiras ou gritos de guerra, não percam o tempo da bola e continuem tocando com categoria, sem entradas maldosas e deixando que a disputa seja dentro de campo e limpa. Que Guarani e Ponte Preta simbolizem da melhor maneira possível a rivalidade existente, mas que o façam apenas com futebol de qualidade e que vença o melhor!

http://pequenopolis.files.wordpress.com/2009/08/futebol.gif



Escrito por Marcelo Figueiredo às 12h10
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