O Direito - um valor genuinamente humano

" Nunca provamos de uma aula como essa...Sem dúvida, este momento entrará para a eternidade de nossas almas e corações". Uma demonstração de respeito pelo mestre que não apenas cumpria sua pauta com instruções e carga de matérias que seguiam os roteiros pré-estabelecidos...Nas Arcadas do Largo São Francisco os alunos do Professor Vicente Rao não assistiam a uma mera aula técnica de conceitos juridicos...Iam além de um ritmo em que o próprio mestre lhes imprimia, e já nos primeiros contatos formulavam, ainda que precoce, suas acepçoes quanto àquela que disciplina os movimentos e os rumos de uma nação em todo o seu conteúdo histórico e jurisprudencial: A Ciência Do Direito. Muito se discute, hoje em dia, dada a alta proliferação das universidades de Direito até que ponto, num mercado já premente e real, como será a absorção de um contigente que ano a ano lança na perspectiva da incerteza, milhares de novos bacharéis que sequer se encontram preparados para o exame que os colocarão em definitivo nesta nobre carreira jurídica: o Exame Da OAB. Outro dado que preocupa esse setor já tão saturado é a falta de ética por parte de novos integrantes que muitas vezes desrespeitam tabelas de honários advocatícios em detrimento de profissionais que praticam de forma honrosa aquilo estabelecido em lei. Ora, nada mais justo remunerar um profissional que se especializa e atualiza seu cliente no acompanhamento de processos investindo tempo e recursos quanto à sua capacitação técnica visando sempre o melhor resultado, seja num mero despacho interlocutório ou na longa caminhada até chegar a sentença que põe fim ao mérito. Muitos imortais do teatro, jornalismo e de nossa literatura inscreveram em seus postulados, uma formação jurídica: Castro Alves, Alcântara Machado, o jornalista e ex governador Orestes Quércia e Paulo Autran são alguns dos exemplos de nomes que triunfaram em suas trajetórias. A faculdade de Direito sempre implica numa dinâmica de aprendizagem. O ensino do Direito ultrapassa as expectativas do conhecimento fracionário do seu todo... O Direito em toda sua vasta área de conhecimento exige de seus operadores e mestres, a constante atualização e capacitação didática. No âmbito público, juízes, promotores e seus auxiliares devem coordenar em harmomia com a lei toda sua atuação nos interesses difusos e coletivos na busca incensante do bem comum. Os delegados de polícia se integram nesse processo de ordem social efetuando plenamente suas diligências para que as ações públicas tenham o caráter protetivo e esclarecedor que a sociedade espera e almeja. Na atividade jurisdicional o Direito, como ferramenta autônoma da instrumentalidade das formas e objeto da própria justiça, representa na sociedade moderna o meio exclusivo de apaziguamento das contendas entre particulares. Mais determinista, buscando a proteção ampla e irrestrita de seu destinatário, executa seus fins mediante o Estado, fonte do poder de tutela jurisdicional, que provocado, não se afasta do exame do pedido, conferindo dentro dos limites constitucionais, a prestação que lhe é reclamada. Neste roteiro que distribui o Direito em suas competências e atribuições, a declaração, do emérito jurista belga Edmond Picard se faz perene entre aqueles que devotam suas vidas pela carreira jurídica: ...Pergunto ao leitor: aumentei-lhe os conhecimentos ? Aumentei-lhe a ordem nas idéias ? Aumentei-lhe a força de pensar e a força de viver ? Se assim foi, atingi meu alvo ! Uma nova maneira, senão de compreender pelo menos,de expor o Direito, não é menos comovedora do que uma obra de Arte. Nessa esperança, o sangue circula mais rápido e mais ardente. Não experimento simplesmente o alívio vulgar de quem vê o termo de um trabalho prolongado. É mais altivamente, a efusão grave e sensibilizadora do jurisconsulto que responde com todas as forças da sua alma jurídica às ironias com que tentam atacá-lo, e fazer-lhe a Fé;Eu creio,eu vejo o Direito muito belo, e isto me basta ! 
Escrito por Marcelo Figueiredo às 12h09
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