Cartas para um grande amor...

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Chegamos a um tempo em que as pessoas escrevem cada vez menos cartas...Há quanto tempo não envia um manuscrito bastante pessoal, em que palavras redigidas com a alma para um amigo ou um grande amor lhe tocam as mãos com um simples pedaço de papel ? Isso mesmo, mais que uma simples correspôndência, uma carta pode dar ensejo a um escrito de profundidade literária. Um fragmento de sua alma, materializado em sublimes lembranças ou declarações de mãos que redigem...Com o coração.

 " Por que me vejo novamente compelido a escrever ? Não é preciso, querida, fazer pergunta tão evidente, porque,na verdade, nada tenho para te dizer: Entretanto tuas mãos queridas recebem este papel".. ( Goethe )

  As cartas estão além de qualquer doação que fazemos para expressar sentimentos e engendrar revelações de nossa intimidade...Elas compilam uma breve história até mesmo literária que sem mesmo saber, somos os protagonistas de uma relação que vai aos poucos se formando como as montanhas e os alpes.

 Dela se extraem os gestos de uma profunda amizade e o abrandamento da solidão ao sermos agraciados com a resposta que tanto esperamos...Na lembrança de quem amamos fazemos a nossa morada, o mesmo calor humano vivido entre as irmãs Lispector. Uma linda história de afeto que unia Clarice Lispector em sua intimidade, que vivendo há muito fora de seu país,  encontrava nas 120 cartas que enviou e recebeu de suas amadas o alívio contra o tempo e a distância. Em "Minhas Queridas"  estão compiladas as cartas que revelaram todo o universo feminino de Clarice Lispector que em meio à segunda Guerra podia encontrar em suas destinatárias as amenidades de um isolamento que o seu caráter diplomático exigia.

 Entre muitos registros de correspondências, dentre elas as de Marx e Engels, Emily Dickinson e o reverendo Charles Wadworth se encontram riquezas na troca de conhecimentos, divagações além de muita poesia fazendo dessa bela atividade de expresão um marco nos cânones de nossa literatura universal.

 Como não se emocionar com as inúmeras cartas apaixonadas de Florentino Ariza para sua "deusa coroada" Fermina Daza no romance do nobel Gabriel Garcia Marques?

 Florentino tece as mais belas declarações aos seu verdadeiro amor em "O Amor Nos Tempos Do Cólera " sonhando em se casar com Fermina, num emblema de esperança por um reencontro...Uma espera, através dos tempos em que o inesgotável amor de Florentino aguardaria...Nem que por toda uma vida.

 Sua cartas, sem dúvida foram decisivas para a realização de um sonho que ligeiramente impossível, ele jamais desacreditou...Suas cartas apresentaram à Firmina as razões de seu amor...O amor sem razões do poeta Angelus Silésius que o comparava às rosas: " A rosa não tem porquês: Ela floresce porque Floresce".

  Há quanto tempo não recebe uma carta ?

http://2.bp.blogspot.com/_GbwPgSyldrk/R-PihYin1JI/AAAAAAAABB8/jv_sj44wxAw/s400/5830_image_1.jpg "Esperei 51 anos,nove meses e 4 dias para propô-la em casamento"...

 



Escrito por Marcelo Figueiredo às 11h28
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Bem vindo JUNHO!!!

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 Noite fria tão fria de Junho...Uwww...Escrevo aqui já com as mãos geladas entrando no mês que anuncia o inverno, o mês da melhor infância que alguém já desfrutou - isso mesmo Marcelo e Junho respectivamente saúdam a época mais caipira e festiva do ano !! A época em que o artista Volpi aludiu com seu trabalho  "Bandeirinhas" a maior tradição que homenageia o nosso homem do campo... O matuto do sítio e o grande cultivador das riquezas de nosso país. Que orgulho eu tenho do nosso "caipira" ! Essa figura devota e desbravadora de nossas terras sem fim...O contador de causos e maestro da maior e melhor moda de viola que nos remete a terra...Às origens ! Que saudade de meu avô Materno..." Sua benção Vô Luis !!! rs! Continue me protegendo, meu avô querido.

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 Sinto inveja de meus pais que me relataram as grandiosas festas juninas que este senhor iluminado de bondade e paz promovia em sua fazenda num tempo bem distante...Ahh! que pena não ter vivido nessa época! Uma de suas filhas me contava que não havia festa que se comparasse a de seu pai...Mesmo suspeita para falar, dá pra se ter uma idéia da festança que de fato se comprovava através de algumas fotos que já bem surradinhas me revelaram a extrema originalidade com que meu avô organizava sua festa do mês de junho. Barracas e bandeirolas revestiam o "terreiro" da fazenda mais alegre do interior de Minas...Sem falar nas danças de quadrilhas que davam a harmonia e o tom do festejo pra lá de animado e cantado por um grupo afinadíssimo de viola e acordion executando o repertório autenticamante sertanejo e regional para os convidados.

 Vó Rosa, a esposa "prendada" arrumava as mesas com seus quitudes das mais variadas guloseimas...Pé de moleque, "Quebra Queixo!!! Já ouviu falar ???Quentão, Maçã do amor e...Por aí vai.

 Minha mãe com lágrimas nos olhos não parava de dar descrições destes momentos de pura alegria...e que infelizmente não voltam mais. Mas sem dúvida, estão no coração e nas lembranças, de uma época em que as pessoas eram mais felizes, naquele reduto às vezes pejorado pelo homem da cidade grande...O homem que não conheceu o calor humano, o espirito intrometido do nosso irmão interiorano...Mas que era capaz de abrir mão de sua cama em consideração e apreço por seu amigo hóspede que em alguns momentos de sua estada...Se sentia em sua prória casa.

http://www.vidraguas.com.br/wordpress/wp-content/festa-de-sao-joao.gif Chegou a hora da fogueira, é noite de São João...



Escrito por Marcelo Figueiredo às 23h09
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