Que final de semana mais extraordinário esse dos últimos tempos ! Não , eu não fui pra ILHA DO PELADO,muito menos esquiar em BARILOCHE...
Eu estava mesmo na minha casa, como se diz na gíria - na goma. Mas, o que tinha de tão especial neste recanto meu, neste aconchego singular e único no mundo ? Teve e espero que haja sempre - A SIMPLICIDADE.
Simplicidade de receber na minha residência a tia Vera, uma senhora sofrida, e acho até que sou parte integrante dessa sua labuta...Com quase 40 anos ela continua recebendo de mim o mesmo tratamento respeitoso.Essa mineira,com mãos culinárias angelicais nos proporcionou o que há de melhor em reunir a família para degustar(e devorar!) seus quitutes,seus deliciosos pães de queijo,u-ma farofa ! Que batizei como a "farofa dos reis"!!! A melhor farofa que já experimentei e lambuzei em toda a minha vida! Ah! Por que eu me considero parte de seu "calvário" ? Bem, porque esta maravilhosa mulher me transportou por 3 anos em sua perua escolar...Respondido ?
Essa amizade que se estendeu aos meus pais já dura há 30 anos, e com o mesmo carinho de sempre, a mesma paciência de sempre esta Caldense não mede esforços de organizar uma mesa deliciosamente farta com muito bate - papo e espontaneidade - SÓ ESTÁ FALTANDO VC, SOPHIA!!!
Não há coisa mais gostosa na vida do que rememorarmos o "bom passado" e ver que a boa reserva de auto-estima que a gente ainda tem, vem destes tempos de desenvolvimento emocional,é claro,com adultos que te municiam,te entendem,e ajudam decisivamente a converter o espectro hiperativo de nossa personalidade em afeto,bom humor...E responsabilidade.
Tia Vera,tão bom quanto teu café com pão de queijo e a tua "farofa dos reis" foi e ainda é o teu senso pedagógico.A senhora com a sua bondade e temperança, me livrou de um quase esperado "fracasso escolar". A senhora e a minha mãe demonstraram,reunidas na minha varanda que a vida ainda tem, não algum,mas muito sentido de ser vivida,pois é na simplicidade,com despojamento material,para sentir toda a leveza,que aquela tarde de sábado nos proporcionou. Há sim alternativas saudáveis e naturais de se gozar toda a plenitude... É só descobrir.
Na noite de ontem, bem no seu finalzinho esqueci do sintoma "véspera de segundona" e observei do jardim um céu reluzente,chovera muito nos últimos dias,e parecia que as estrelas estavam mais polidas...Mais brilhantes
Daí lembrei dos 1 50 anos da obra revolucionária de Charles Darwin e sua teoria evolucionista...Aí também lembrei de um humilde hebreu de nome Isaias,que acabou monopolizando meus pensamentos,e refleti sem muitas divagações em suas palavras,quando há milhares de anos,sem nenhum aparato científico ele escreveu: "Ele fez o círculo da Terra,e a suspende sobre o nada".
Não vou me posicionar teologicamente, mas pensei: Caro cientista, se tivesse escrito poesias sobre tudo o que pesquisou,e tivesse sentido tudo o que eu senti,ao olhar e contemplar o universo,poderia morrer até anônimo,ou no ostracismo,mas certamente vc seria uma daquelas estrelas,que não são astros inanimados,mas conversam com o Seu CRIADOR,pois refletem o brilho de ninguém menos...Que as criou.Faltou uma tia Vera para vc,my friend.
" A ciência sabe como levar o homem à lua,mas não sabe como fazê-lo amar".Rubem Alves
Se aproxima o dia dos namorados e fiquei pensando se existe algum segredo para que o amor seja mais duradouro.
Será que há fórmulas ou regras para que a parceira não se canse da gente? Há aquele velho chavão que diz: o amor é como uma planta que precisa ser regada diariamente. Mas como se rega o amor? Como não tornar o convívio desgastante? E pra não cair no tédio??? Há casais que demonstram a mesma chama do início após décadas de relacionamento, é o caso da Glória Menezes e do Tarcisio Meira, Nicete Bruno e Paulo Goulart, Glória Pires e Orlando Morais e até mesmo os seus pais ou os vizinhos podem ter 30, 40 anos de casados e ainda serem doidões um pelo outro...
Mas fico me perguntando, como se consegue esse feito? Procurei nas músicas, nos poemas pra ver se encontrava uma fórmula eficaz... Vinícius de Moraes escreveu muito a respeito. O primeiro toque: fidelidade!"Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor." Finaliza o poeta: "Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor".
E ser fiel não basta, o homem precisa de outros atributos... Ser bom sujeito também não é tudo. É preciso ser conhecedor de arte, judô e culinária... Ter crédito na floricultura... O poeta era esperto: "Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?"
Eu queria ser este homem: fiel, forte, romântico, culto e ainda por cima bom cozinheiro... Mas não termina por aí, o mais importante de tudo é encontrar a mulher certa... Afinal, disse o poeta: "Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor."
Pra identificar essa danada é que mora a dificuldade. Talvez ela esteja a nossa frente, ao lado,bem na nossa cara e a gente não se aperceba. Pode ser que ela seja a mulher que divide a cama com você, aquela de quem o colega aí já tá enjoado... Por isso, cuidado também. Abra os olhos e não pise mais na bola... Deixei pro final a regra 3 do amor, que também foi cantada pelo "poetinha"...
" Tantas você fez que ela cansou Porque você, rapaz Abusou da regra três
...Depois perdeu a esperança Porque o perdão também cansa de perdoar Tem sempre o dia em que a casa cai Mas deixa a lâmpada acesa Se algum dia a tristeza quiser entrar E uma bebida por perto Porque você pode estar certo Que vai chorar!" (...)
...Irei para sempre além de um oásis de ternura e encantamentos...
Ao teu encontro gorjearei em plumas cintilantes de amor e vontade
Sobre as estrelas no labirinto do infinito quero sedento o teu leite...
Na imensidão desse sonho vou edificar minha morada, meu amor...
Nesse encontro em densas nuvens vou lhe dizer a felicidade, irmã da eternidade,
E que a sombra que nos encobre de prazer seja o regalo de uma alma que te abraça
e adormece em teu seio palpitante, transpirando toda a ode da poesia celeste...És tu o meu
próprio galardão...
Irei contigo...
UM OLHAR
Aquele olhar me conduziu à planíces da mata intocada...Me fez jovem outra vez...Me fez feliz.
Teus olhos para mim são jazidas de rubis...Um tesouro guardado de valor imensurável para minha alma,
Eles estão guardados para sempre...Em meu coração.
Olhando para os céus Parece que estou vendo um milhão de olhos Qual deles são os seus? Onde você está agora já que ontem Acenou se despedindo. E fechando as portas?
A noite é tão sombria
O vento é tão gelado... ( Trecho - Papa Can You Hear me ? )
SUAVE INSANO AMOR...
Chegou a brisa, chegou a noite, e o teu perfume me molha o peito...
Vem agora saciar a tua sede dos meus encantos, vem beijar nesta boca
toda a seiva que o teu caule me absorve, e meus lábios te envolverão em doces toques
tua savana incendiará com meus requintes, e os rios afluentes do teu orgasmo inundarão os meus sonhos
e vou acordar molhado com o suor de uma cavalgada indecifrável, malemolente na noite louca e entorpecida.
Vem com tuas coxas no convexo das minhas ancas, no reconvexo do meu amor, vem,
vem com suspiro e o teu canto, teus cabelos tem o brilho da paz e da beleza que eu quero tanto.
Vou te devorar com as pulsões da volúpia do teu próprio manto.
De repente se cria um desejo insano de beber do cálice entre tuas pernas.
Tua flor desabrocha em belezas internas. Te farei levitar.... Espera, meu Anjo!
CRÔNICA
Falemos de amor... O essencial e o contingente
"Se você não me queria, Não devia me procurar, Não devia me iludir, Nem deixar eu me apaixonar"... (Monsueto e Airton Amorim)
São essas palavras que nos devoram e nos fazem reconhecer o cativeiro o qual somos inevitavelmente reclusos...E felizes? Falo do objeto "quântico" e multifacetado que impreguina a mais variada forma de compô-lo nos arranjos musicais, que há milênios é o sustentáculo de toda a poesia,como a tese e antítese de todo o sentimento humano sublime...verdadeiro,passional. Seu "hospedeiro" pode ser figurativamente uma exótica "flor das Ilhas Canárias",pode ser também um Tissuname que nos invade,nos leva...para nunca mais. Como disse Simone de Beauvoir em sua contingência vivida intensamente no romance com Nelson Algren, quando indagada acerca de seu sentimento primário, descreveu: " não sei. O fato é que o encontrei e esse foi o acontecimento capital da minha existência"... Referia-se ao seu amor essencial - Jean Paul Sartre. "Quem nunca amou jamais conheceu a Deus - pois Deus é AMOR". Eis o sentido universal da essência existencial de nossa espécie, O AMOR. Como decifrá-lo em sua magnitude sendo este mesmo algo invariavelmente infinito ? Teria o amor, sob a ótica fundamentalista apenas uma face, ou mediante nossa natureza "tesudamente imperfeita" a permissão de melhor aproveitá-lo, melhor a este vivenciar ?Isso faz bem, nos faz viver ? Sentir que diante de todo alter ego,de nossa impostura e necessidade de sobrevivência esse "vetor" se desenvolve para balancear toda a nossa petulância,e nos faz mansinhos como um gato? Ou ele é capaz de mobilizar toda as forças armadas como fez aquele "escroc" de Santo André em defesa do seu "amor-apego"? E o que podemos dizer sobre a generalização do sexo livre nos "âmbitos" festivos das casas de swing, estaria isso a serviço da preservação do amor entre os casados, argumento mais premente entre seus praticantes ? E o amor essencial, aquele que chamamos de verdadeiro, nosso primeiro e único... Está em crise? Existe, ou já existiu ? É bom, é monótono ou na mais genuína poesia este monopoliza todas as suas acepções...hein ? Parece que não, não é Chico? "Hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito. Exijo respeito, não sou mais um sonhador. Chego a mudar de calçada Quando aparece uma flor E dou risada do grande amor. Mentira." (Chico Buarque de Holanda)
Bem,se nem Platão,nem os poetas,conseguiram explicar o amor,não serei eu, simples mortal doente de amor que o farei...
" No peito do desafinado também bate um coração" ( Tom Jobim e Nelson Mendonça )
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